#11- Gé
quem nunca tentou esconder os próprios tijolos.
<Anos atrás na Vila Cidreira - 7 anos da Gé>
-Marta! Maurinho! Esperemmmm
Gé atravessa a Vila correndo com os chinelos escapando dos pés. Maurinho e Marta seguem alguns passos na frente carregando uma caixa velha cheia de coisas que encontraram no fundo do armário de Dona Ana.
-Não corre, Gé! você vai cair!!!
Marta grita olhando para trás, mas sem diminuir o passo.
-A gente não quer brincar com você, você quebra tudo!
-Eu também quero irrrrr! Me esperem!!!!!
Maurinho olha rapidamente para Marta, trocam olhares como quem pede autorização para incluir a irmã menor na brincadeira. Marta revira os olhos, mas lidar com o choro e sermão de Dona Ana, será pior. Então cede.
-Gé… a gente vai mexer em coisa velha. Velha mesmo. Você vai achar chato demais! diz Marta em tom compreensivo tentando disfarçar o fato de que nem ela sabe o que irá encontrar naquela caixa.
-Eu não acho! E se me lembro bem, vocês sabem que essa caixa existe porque colocaram a culpa em mim quando eu era bebê! Não é?
-Olha só, Gé, foi mais ou menos isso, mana…
-... MAS! Como somos mais velhos, precisamos ver se tem algo assustador aqui antes de você.
Maurinho segura o riso enquanto tenta equilibrar a caixa nos braços acreditando que agora eles conseguiriam convencer a irmã caçula.
-Me dá isso aquiiiiiii
Gé é menor, mas também é a mais persistente. Pula e salta como se a sua vida dependesse daquela caixa. Como se de alguma forma ela soubesse que precisava ter acesso ao que os irmãos têm em mãos.
-PARA ANGÉLICAAAAAAA
Maurinho se irrita, Marta não sabe o que faz. De longe, Sr. Dorival aparece e espalha a criançada
-Opa, opa! Tudo isso por uma caixa de sapatos, turma? Me dá aqui, Maurinho, por gentileza?
A contragosto, Maurinho dá a caixa de sapato para Sr. Dorival que, muito respeitoso, decide não espiar para ver o que havia ali dentro.
-Vou ficar com isso, tá bom?
-Olha só, seu Dorival! Será que o sr poderia não contar para nossa mãe? a gente anda brigando muito, ela fica ainda mais triste em saber que brigamos por uma caixa de sapatos sabe…
Maurinho era pequeno, mas sua lábia já era de um adulto que queria tirar vantagem do seu charme. Sr. Dorival já sabia e, justamente por isso, se fazia de bobo.
-Eu vou pensar! Mas, fiquem tranquilos, estará guardado bem aqui comigo o que quer que seja essa caixa. Está muito leve…. Não tem nada vivo aqui não, né?
-Espero que não…
Diz Marta caminhando ao lado de Maurinho em outra direção.
Gé diminui o passo.
Aquela frase tinha um peso desproporcional para uma criança de 7 anos. “A gente não quer brincar com você, você quebra tudo!” como se existissem pessoas naturalmente destinadas a desmontar tudo aquilo que tocam. Gé sabia que não era uma dessas pessoas, mas escutar essas palavras de quem dividia a vida com ela, deveria fazer algum sentido.
Após alguns passos, decide parar e observar os irmãos seguirem sem ela. Ela admirava como a sua companhia parecia não fazer falta alguma - e ainda assim, eles sentiam falta dos brinquedos quebrados.
A Vila Cidreira parecia maior quando se estava sozinho.
As fachadas verdes se repetiam desorganizadamente em harmonia: Verde claro. Verde queimado. Verde musgo. Verde capim-cidreira.
Exceto a dela.
Naquela época, a casa de Gé ainda não era exatamente dela. Era um pedaço de terreno que Dona Ana insistia em reformar aos poucos enquanto dizia que “um dia seria útil”. Gé pensava que o tijolinho aparente fazia a construção parecer crua perto das outras. Inacabada.
- Mamãe disse que um dia vai pintar esses tijolos
Marta comentou certa vez.
-E de que cor vai ser?
-Verde, ué. Igual todas.
-Acho tijolo bonito.
-Talvez essa devesse ser a sua casa… você nem gosta de verde mesmo.
Gé tinha as palavras na ponta da língua, mas não respondeu. Era pequena demais para entender que futuramente aquele seria o seu lar, mas já era humana o suficiente para ser atravessada pela sensação de que tinha gostos diferentes ao de toda a família. No fundo, achava bonito continuar existindo algo mesmo sendo inacabado.
-Você ficou pra trás de novo?
Gé vira rapidamente o rosto. Dona Ana estava parada na entrada da casa com seu avental esverdeado florido.
-Ah, eles não querem brincar comigo..
Ana observa a filha por alguns segundos. Como quem tenta escolher palavras suficientemente agradáveis para uma criança e, ainda assim, suficientemente honestas para si mesma.
-Sabe… às vezes irmãos mais velhos gostam de pensar que a vida é como uma corrida.
-É, eu percebo… eu só queria ficar perto.
-Eu sei.
Gé leva seus olhos para o lado da casa em que cresceu e vê a casa de tijolinho.
-Mãe?
-Estou aqui…
-Por que aquela casa nunca fica pronta?
Ana acompanha o olhar da filha até os tijolos aparentes da casa vizinha. Respira fundo. Não tão fundo para não conseguir alcançar a verdade:
Porque não fica.
Porque toda vez que Mauro fala em pintar, ela inventa uma desculpa.
Porque toda vez que escolhe uma tinta verde, sente angústia.
Porque toda vez que olha para aquela casa, lembra de uma noite específica e da única vez na vida em que escolheu a si mesma antes de qualquer outra pessoa.
Mas Gé ainda era pequena demais para carregar verdades adultas.
-Sabia que todas as casa aqui, são feitas de tijolos, filha?
Gé aperta os olhos como quem tenta entender.
-Mas as outras são mais bonitas
Ana sorri percebendo como sua caçula estava crescendo e tirando conclusões do mundo com os seus próprios olhos.
-O tijolo é a base de todas as casas aqui. Alguns escolhem cobrir com cimento. Deixam lisinho, lisinho e depois pintam. A sua casa foi a última a ser construída aqui, lembra? Nós optamos por deixar você escolher quando crescesse.
-Eu já posso escolher?
Dona Ana agora solta a sua melhor risada.
-Filhinha, você tem um coração gigante, mas ainda é pequena. Logo logo poderá escolher a sua fachada, tá bom?
-A minha será verde também! Eu gosto
-Tudo bem. Tenho certeza que você escolherá o que seu coração mandar..
-Coração?
-É, ele carrega respostas.. Ele diz algo agora pra você?
-Disse que gosta de arco irís…
Gé cai na gargalhada com Dona Ana e concorda
-Eu acho bonito o arco íris!
-Meu bem… isso porque você ainda não aprendeu a diferença entre bonito e verdadeiro.
Gé não entende completamente a resposta, mesmo percebendo que Dona Ana não fez questão de falar em um tom audível suficiente, guarda em seu coração aquele dia. O dia em que soube que ela e a mãe dividiam o mesmo amor por tijolinhos, mas a mesma dor em não poder mantê-los.
< Anos atrás - quando Maurício visitou Ana >
-Ana… vocês…
Maurício continua preso na mesma frase como alguém tentando abrir uma porta que está emperrada. Ana observa seus olhos cansados que agora carregam linhas, onde é quase possível traçar um caminho. Pela primeira vez em muitos anos, existe alguém tentando permanecer diante dela ao invés de apenas esperar que ela continue suportando tudo sozinha.
-Já faz mais de um ano que não somos mais um casal, Maurício.
A frase permanece entre os dois.
Viva.
Pulsante.
Irreversível.
Maurício abaixa lentamente a caixa que segurava no chão. Dentro dela, um porta-retrato antigo embrulhado cuidadosamente em jornal.
-Eu trouxe isso porque…
-Eu sei.
Ana se aproxima devagar e diz:
-Mau sempre gostou desse porta-retrato.
Maurício sorri para baixo, era difícil demais encarar os olhos solteiros de Ana.
-Era a única coisa que eu tinha na minha casa que ele gostava. Aqui costumava ficar a foto dos meus pais no dia do casamento. Claro, não tinha muita coisa na minha casa, éramos muitos pobres, mas…. dessa, ele gostava.
Ana sente algo apertando seu peito. Talvez porque entendesse exatamente aquela sensação. Como se estivesse próxima demais do seu sonho e, ainda assim, longe demais de poder realizá-lo.
-Maurício…
-Eu deveria ir embora, está super escuro lá fora…
Maurício espia pela fresta aberta da janela e algo chama sua atenção.
-O que são aqueles tijolos ali fora?
-Tivemos uma pequena reforma e sobrou. Estou pensando em colocar os tijolos que sobraram em uma fachada, acho a tonalidade linda.
Maurício não consegue esconder a admiração e apaixonamento:
-Eu gosto como você vê as coisas, Ana.
O silêncio muda de temperatura.
Maurício passa a mão pelo próprio rosto tentando recuperar algum controle sobre si mesmo. A vida inteira tinha amado Ana em silêncio. Agora que finalmente podia existir diante dela, não sabia mais o que fazer com o próprio corpo.
Ana se aproxima. Perto demais.
-Maurício…
-Oi.
-Beija logo antes que eu desista.
E Maurício a beija.
Deixa fluir através dos seus lábios o beijo de alguém que passou anos morrendo de sede sem admitir. Com os braços ao redor de Ana, sente como quem encontrou o seu lugar. Ela puxa seu corpo para mais perto e, deitados em sua cama, descobrem que é possível ocuparem o mesmo lugar no espaço.
< 5 anos atrás - Mauro no hospital >
-Sr. Mau, agora preciso que você descanse.
Joana ajeita cuidadosamente o lençol enquanto Mauro acompanha cada movimento dela com dificuldade.
-Joana, eu preciso te pedir uma coisa antes.
Do pé da cama, Joana ergue seu olhar em direção ao paciente que agora já estava mais para amigo e confidente.
-Certo, amigo. Pode falar.
Mauro respira fundo.
-Promete que vai escutar até o final?
Joana sente o peso daquela frase antes mesmo de entender o que seria dito.
-Eu prometo! Mas prometa me contar uma boa história dessa vez?
Mauro fecha os olhos por alguns segundos.
-Existe uma fotografia… na verdade, um porta-retrato antigo. Ele estava com minha esposa, depois no antiquário da Vila durante anos. Agora está na casa da Gé.
Joana permanece em silêncio.
-Atrás dele tem um bilhete.
-Um bilhete?
-Eu preciso que esse bilhete apareça.
Joana franze a testa sem entender onde que aquele Sr. que está internado e com risco de vida, quer chegar.
-Mau… eu não sei se estou acompanhando a sua ideia…
Mauro se ajeita na cama com dificuldade, ainda que o mais difícil naquele momento, fosse colocar as palavras para fora:
-Eu passei a vida inteira acreditando que amar alguém era proteger essa pessoa da dor. Agora eu acho que talvez amar alguém seja justamente o contrário.
A respiração de Mauro falha. Joana aguarda com paciência.
-Quando eu morrer… sabemos que isso vai acontecer. E eu sei que Ana vai transformar minha ausência em um espaço no seu coração. E eu não quero isso pra ela...
-Mau…
-Ela precisa entender que foi amada antes de mim. Durante. Depois de mim.
Joana sente os olhos marejarem sem perceber.
-Então, preciso ir até a casa da Gé e pedir um porta retrato, isso?
-Não… ela não pode saber que eu te pedi isso.
-Mas, como eu vou entrar na casa dela sem ela saber….
Mauro fica em silêncio
-O Sr. está me pedindo pra invadir a casa da sua filha? Sr. Mauro, eu pensei que cuidar do Sr seria bolinho viu… não posso fazer isso!
-Joana… Gé, minha filha, merece entender porque sempre se sentiu fora do lugar mesmo estando em casa.
Joana respira fundo.
-Eu não quero destruir nada, Joana. Só quero parar de mentir pra ela.
Joana se levanta e caminha em direção a porta.
-Olha… Sr. Mauro… eu farei o possível.
< Atualmente - Casa de Maurinho >
-Olha só quem voltouuuuu!
A frase parecia simples demais para o tamanho do que aquilo significava. Depois de semanas olhando para as paredes do hospital, escutando máquinas apitando e tantas visitas de pessoas, do passado e do presente, voltar para casa deveria soar como alívio, mas parecia consequência.
A casa estava silenciosa. Como sempre, limpa demais. Carla sempre limpava quando estava tentando controlar o incontrolável. Maurinho passa lentamente pela sala observando os brinquedos da filha organizados em caixas transparentes. Tudo etiquetado. Tudo categorizado, tudo no lugar.
Menos ele.
Carla aparece no corredor segurando uma toalha dobrada. Os dois se olham como quem reconhece uma antiga versão de si mesmos.
-Você demorou, amor.
-O trânsito.
Carla quase riu. Afinal, foi o que sempre ouviu do marido.
Mentira antiga.
Automática.
Desnecessária.
O olhar de Carla, depois de anos e anos, chama atenção dele. Maurinho percebe no mesmo instante que suas falsas verdades sempre soaram como mentira para ela. Ele não enganava ninguém. Era como se se visse completamente nu no centro da sala.
-Olha só… eu nem sei porque falei isso.
-Talvez a gente se acostumou a preencher silêncio com qualquer coisa.
Carla apoia a toalha sobre o sofá. Não existe raiva nela, só cansaço e desgaste.
Maurinho sente que isso dói ainda mais.
-Olha só.. Eu pensei muito enquanto estava no hospital.
-E eu gostaria de pensar muito enquanto você estava lá, mas Clara não estava em dias fáceis, ela sentiu muito sua falta. Enfim, como você está?
O silêncio entre eles já não parecia vazio. Parecia mais com uma casa depois da mudança: ainda com marcas nas paredes mostrando onde os quadros dos antigos moradores costumavam ficar e que já não faziam sentido algum estarem ali.
-Carla…
Eu não quero mais viver assim.
Ela fecha os olhos por um instante longo demais para parecer só um cansaço comum, até conseguir dizer.
-É, essa conversa demorou anos pra acontecer.
-Eu sei.
Maurinho segura a aliança entre os dedos.
-Eu machuquei você muitas vezes.
Eu achei que uma hora ia melhorar sozinho.
Carla observa a dor em cada palavra. Não sente pena, nem culpa. Engoliu tanto sofrimento que agora, só consegue oferecer o silêncio.
-Olha só! Na verdade, eu não achei que ia mudar, pois eu nem tentei. Eu gosto de ser assim, mas não está certo estar com alguém que sofra as consequência disso. Te peço perdão. Eu não quero mais te machucar.
-Maurinho… o pior nunca foi você ter se envolvido com outras pessoas, se é isso que está tentando me dizer.
Ele ergue os olhos molhados com surpresa
-Foi nunca conseguir permanecer inteiro em lugar nenhum. Foi nunca ter conseguido bancar o seu vazio e a sua solidão para viver e ser aquilo que você deseja.
A frase o atravessa sem defesa. Maurinho sabia que era verdade.
-Eu sinto muito.
-Eu também.
Carla se aproxima devagar.
-Eu te amei muito.
-Eu sei.
-Mas amar alguém não é só ter atitudes bonitas, é preciso verdade.
Maurinho sente vontade de chorar. Pela primeira vez, não tenta fugir disso.
Carla pega a bolsa em cima da bancada da cozinha.
-Eu vou ficar uns dias na casa do meu pai, tá? entre nós, está tudo bem? quer dizer algo mais?
Maurinho concorda com a cabeça que está abaixada.
Ela caminha até a porta, mas antes de sair, se vira uma última vez.
-Eu torço que você encontre a ponta do durex, viu? Carla pisca.
Apesar do nó na garganta, Maurinho sabe como os acontecimentos passam rápidos demais ali na Vila.
E essa é a última vez que ele escuta aquela frase sendo usada como piada.
< Noite em que Joana invade a Vila >
Joana fecha o portão da casa de Ju e Gui devagar para evitar qualquer barulho desnecessário.
A Vila Cidreira estava silenciosa. Silenciosa como nas madrugadas onde parece que qualquer mínimo movimento pode acordar uma lembrança.
Ela caminha devagar observando as fachadas esverdeadas. Algumas janelas ainda acesas. Outras completamente apagadas. A casa de tijolinho parada no meio daquela harmonia quase perfeita.
Respira fundo, enquanto repete mentalmente a própria frase como quem tenta convencer a si mesma.
“Vai dar certo. A verdade vai circular”
Ao longe, a televisão baixa da guarita ilumina parcialmente o rosto de Sr. Dorival.
Joana prende a respiração por uns segundos ao se aproximar dele.
-Bom… espero que tenha conseguido o que queria.
Ela congela.
-Pois não?
Sr. Dorival continua olhando para frente como se comentasse sobre o clima.
-Sei lá. Você entrou aí procurando alguma coisa faz horas.
Joana sente o coração disparar.
-Eu estava trabalhando na casa do Ju e do Gui.
O velho ajusta os óculos no rosto.
-E achou?
Joana não sabe exatamente o que responder. Afinal, encontrou. Mas também não encontrou. Sabe que às vezes cumprir uma promessa parece muito mais pesado do que imaginamos quando aceitamos fazê-la.
-Acho que sim.
Sr. Dorival finalmente vira o rosto em direção a ela.
-Que bom, Joana.
Silêncio.
-Eu aprendi faz tempo que nesta vila o problema nunca foi o que as pessoas escondem. Foi o tanto que elas acham que ninguém percebe…
Joana atravessa o portão sem vontade de sair. Quer saber o que irá acontecer, não por mera curiosidade, mas no fundo, deseja continuar fazendo parte daquela história.
< Vila Cidreira — atualmente >
É fim de tarde na Vila, aquele horário entre o fim da tarde e o começo da noite em que os últimos fachos de sol escolhem se demorar e partir.
Gé atravessa o corredor de casas com as mãos no bolso. Conhece cada detalhe dali de cor: a calçada que empena perto da casa do Sr. Dorival, o vaso que a Marta insiste em regar mesmo no inverno, os sons dos gatinhos de Maurício.
Caminha mais um pouco e pára na frente da sua casa. O tijolinho aparente. Sempre achou bonito, mas nunca conseguiu explicar direito pra ninguém o porquê. Caminha até chegar na casa da Tia Mariana, a porta estava entreaberta como sempre. Na Vila, portas entreabertas eram um convite - todo mundo sabia disso.
-Tia?
-Tô aqui no fundo!
Gé entra e já conhece o caminho. A casa de Tia Mariana cheirava a café passado com naftalina. Como se o tempo ali dentro corresse num ritmo diferente do restante.
Ao dobrar o corredor, vê Maurício sentado à mesa.
-Olha só quem apareceu!
Gé sorri!
-Que foi, hein? Tô interrompendo algo? Hora oficial da fofoca? Só vim pegar uma coisa que a Tia está arrumando pra mim..
-Nada, Gegé! Fique à vontade, sinta-se na casa da sua Tia.
Maurício pisca pra ela.
Gé senta do lado de Maurício. Ela o percebe mais quieto do que o normal, mas diferente de onde cresceu, com ele, o silêncio fazia parte. Sentido.
-Aqui está, querida.
Mariana está com o objeto carregado de história em mãos. Ao vê-los juntos ali, deixa escapar uma lágrima.
-Tia, você tá bem?
<continua>


